Thunder, thunder, thunder — ThunderCats HO!

Se você cresceu nos anos 80 ou 90, essa frase provavelmente fez alguma coisa dentro de você agora mesmo. ThunderCats foi um dos desenhos mais icônicos da geração — Lion-O, Panthro, Cheetara, Tygra e o Sword of Omens contra o eterno Mumm-Ra. Era épico do jeito que só a TV daquela época conseguia ser.

E agora, a Warner Bros. Pictures Animation confirmou: um novo longa animado está a caminho. Mas vale entender exatamente o que foi revelado — e o que ainda é mistério.

O anúncio que ninguém esperava no Festival de Annecy

O Festival de Annecy é o maior festival de animação do planeta — e foi lá, durante o painel da Warner Bros. Pictures Animation em 22 de junho de 2026, que o projeto veio à tona. Vale um esclarecimento importante sobre como isso aconteceu: segundo o site especializado io9, o título apareceu dentro de um “sizzle reel” mais longo — um vídeo de apresentação que reúne vários projetos futuros do estúdio de uma vez, ao lado de outro nome clássico que também ganhou o mesmo tratamento, As Meninas Superpoderosas. Ou seja, não foi um anúncio dedicado e isolado, com press release próprio e painel exclusivo — foi uma confirmação de que o projeto existe e está em desenvolvimento, encravada num apanhado maior de anúncios do estúdio.

Isso não diminui a notícia, mas ajuda a calibrar a expectativa: até o momento, não foram revelados detalhes sobre elenco de vozes, direção, roteiro, trama ou data de estreia. A Warner confirmou apenas que o formato será totalmente animado — o resto ainda está encoberto.

E o live-action que estava sendo desenvolvido?

Desde 2021, circulava a informação de que Adam Wingard — diretor de Godzilla vs. Kong e, mais recentemente, Godzilla x Kong: O Novo Império — estava desenvolvendo uma versão em live-action de ThunderCats, com roteiro co-assinado ao lado de Simon Barrett, seu parceiro criativo de longa data em filmes como A Bruxa de Blair (2016) e O Hóspede (2014). Em março de 2024, Wingard chegou a declarar publicamente que o filme era uma prioridade em sua carreira.

Esse projeto não foi oficialmente cancelado com o anúncio da animação — mas também não recebeu nenhuma atualização desde então, e nem está claro se as duas produções vão coexistir ou se uma delas vai acabar engavetada. Diferentes veículos de imprensa têm tratado a relação entre os dois projetos de forma diferente: alguns afirmam que são iniciativas paralelas e independentes; outros dizem simplesmente que não se sabe. O que dá pra afirmar com segurança é que Wingard, hoje, está com a atenção em outro lugar — ele dirige atualmente “Onslaught”, filme de ação militar com toques de terror estrelado por Adria Arjona, com estreia prevista para 4 de setembro de 2026 e conexões com o universo de The Guest, outro filme seu ao lado de Barrett.

Na prática, isso significa que o filme animado tem boas chances de chegar às telas primeiro — e pode funcionar como porta de entrada para uma geração nova de fãs antes de qualquer adaptação com atores reais, se é que ela ainda sai do papel.

Por que Hollywood está tão apaixonada pelos anos 80 agora

ThunderCats não é um caso isolado. No mesmo painel em Annecy, a Warner também revelou novidades de As Meninas Superpoderosas. Masters of the Universe já estreou nos cinemas — mas com um desempenho decepcionante de bilheteria, apesar do orçamento alto e da campanha de divulgação forte. Voltron segue em desenvolvimento. E o sucesso de franquias como Transformers e G.I. Joe mostrou, ao longo da última década, que a nostalgia dos anos 80 tem público garantido em qualquer plataforma — quando a execução é boa.

É justamente esse último ponto que torna o timing do anúncio de ThunderCats interessante: ele chega logo depois de Masters of the Universe tropeçar nas bilheterias, o que sugere que a aposta em nostalgia, sozinha, não é mais garantia de sucesso automático. A Warner parece estar ciente disso — mas segue investindo no potencial de ThunderCats mesmo assim, o que é, por si só, um voto de confiança na força da marca.

Mas tem algo além do dinheiro nessa aposta. Esses IPs foram criados numa época em que animação ocidental tinha uma ambição épica que raramente aparece hoje. ThunderCats tinha vilões genuinamente ameaçadores, conflitos com peso emocional e uma mitologia construída ao longo de temporadas. É material que, tratado com seriedade, pode funcionar tanto para quem tem 40 anos quanto para quem tem 10 — desde que o estúdio não repita os erros de tom que já prejudicaram tentativas anteriores.

O que fãs brasileiros precisam saber

No Brasil, ThunderCats foi exibido no SBT nos anos 90 e construiu uma base de fãs que nunca esqueceu. Criada por Ted Wolf e lançada originalmente em 1985, a franquia já passou por duas tentativas de reboot em série: uma em 2011 pelo Cartoon Network, com visual inspirado em anime e tom mais sério, e outra em 2020, “ThunderCats Roar”, com abordagem humorística inspirada em produções como Hora de Aventura e Steven Universo. Nenhuma das duas passou de uma temporada — a versão de 2011 dividiu opiniões entre o público mais antigo por causa do estilo visual e do tom mais sombrio, enquanto a versão de 2020 afastou boa parte da base nostálgica justamente pelo caminho oposto: humor leve demais para quem queria a épica original de volta.

Um longa animado com os recursos e o peso institucional da Warner Bros. Pictures Animation tem, ao menos em teoria, a chance de acertar o tom onde as duas tentativas anteriores erraram — nem tão sombrio a ponto de afastar quem quer nostalgia genuína, nem tão infantilizado a ponto de perder a escala épica que fez a franquia ser lembrada por décadas.

Pra quem nunca viu: do que se trata ThunderCats

Se seu contato com a franquia é só de ouvir falar, vale o contexto. ThunderCats acompanha um grupo de felinos humanoides sobreviventes da destruição do planeta natal deles, Thundera. Fugindo pelo espaço com a família real e outros nobres a bordo de uma nave-mãe, perseguidos pelos inimigos históricos da espécie — os Mutantes de Plun-Darr —, os ThunderCats acabam se refugiando na Terceira Terra, um planeta desconhecido onde precisam recomeçar do zero.

O grupo é liderado por Lion-O, que embarcou na jornada ainda criança mas, por causa de uma falha na cápsula de estase que o manteve em animação suspensa durante a viagem — que levou décadas apesar da tecnologia avançada da nave —, chega ao novo planeta com corpo de adulto e mente ainda de criança, precisando assumir a liderança da nobreza Thunderiana antes mesmo de estar pronto para isso. Ao lado dele estão Cheetara, Panthro, Tygra, os jovens WilyKat e WilyKit, e Snarf, além da lendária Espada dos Presságios (Sword of Omens), que guarda o Olho Místico de Thundera — a fonte de poder de toda a linhagem.

Do outro lado está Mumm-Ra, o feiticeiro múmia praticamente imortal que comanda os Mutantes de Plun-Darr, sempre em busca do controle total da Terceira Terra e da destruição definitiva dos ThunderCats. É esse confronto entre uma nobreza exilada tentando reconstruir sua civilização e um vilão ancestral obcecado por poder que sustentou a série original ao longo de suas temporadas nos anos 80 — e é esse mesmo material que qualquer nova adaptação, animada ou não, vai precisar equilibrar entre fidelidade e reinvenção.

Um universo que também está voltando aos quadrinhos

Enquanto o filme animado ainda engatinha em desenvolvimento, vale saber que ThunderCats já está de volta em outra frente: os quadrinhos. Desde 2024, a Dynamite Entertainment publica uma série regular em parceria com a Warner Bros., já chegando à edição de número 25 em março de 2026, além de uma spin-off dedicada à Cheetara. É um universo expandido que pode acabar servindo de referência — ou até de base direta — para o tom que o longa animado vai adotar, dependendo de quão próxima a equipe criativa do filme decidir ficar do material mais recente. Já contamos toda essa história em quadrinhos aqui no blog, da era Marvel dos anos 80 até a fase atual da Dynamite.

De olho no mesmo painel: Dupla Dinâmica

Vale um adendo curioso: no mesmo painel de Annecy onde ThunderCats foi revelado, a Warner também mostrou novidades de Dupla Dinâmica, o projeto do DC Studios focado nos ex-Robins Dick Grayson e Jason Todd. Não é coincidência: o estúdio está claramente organizando uma leva de anúncios de animação de peso para o mesmo período, sinalizando uma aposta maior em formatos alternativos ao live-action tradicional dentro do próprio grupo Warner Bros. Discovery.

Ainda não há data ou trailer para o filme de ThunderCats. Mas o anúncio é real, o projeto está em andamento dentro da divisão de animação da Warner, e a nostalgia — mesmo depois do tropeço de Masters of the Universe — segue aquecida o suficiente para justificar a aposta.

Gosta de quadrinhos e animações? Veja também nossa análise da HQ de Supergirl: Woman of Tomorrow e o que está acontecendo no universo DC com a luta oficial entre Superman e Homelander.