Atenção: este artigo contém spoilers do episódio 8 de Lanternas.

O final da primeira temporada de Lanternas respondeu ao mistério que movimentou a série, definiu o sucessor de Hal Jordan e, ao mesmo tempo, criou uma dúvida que a DC aparentemente quer carregar para o futuro: afinal, John Stewart terminou a temporada como Lanterna Verde ou Lanterna Amarelo?

A resposta curta é: nenhum dos dois de forma convencional. John continua usando o anel ligado à força de vontade, mas passa a recarregá-lo em uma bateria clandestina criada por Sinestro e contaminada pela energia amarela do medo. E os próprios criadores da série já confirmaram que isso torna o personagem algo diferente dos Lanternas que conhecemos.

John Stewart não virou simplesmente um Lanterna Amarelo

Depois do episódio final, a própria DC publicou uma entrevista com os cocriadores Chris Mundy, Damon Lindelof e Tom King explicando a decisão. King afirma que John já não é “cem por cento” um Lanterna Verde: sua nova bateria possui parte da energia amarela associada ao medo e não foi autorizada pelos Guardiões.

Isso é importante porque o episódio não mostra John abandonando a força de vontade para aderir ao medo, como aconteceria com um integrante tradicional da Tropa Sinestro. Ele faz outra coisa: aceita que o medo existe e decide incorporá-lo à maneira como exerce sua coragem.

Essa ideia aparece diretamente no novo juramento criado por John. Em vez de simplesmente repetir o juramento tradicional da Tropa dos Lanternas Verdes, ele formula suas próprias palavras e assume que sentir medo não elimina a capacidade de fazer o que considera certo.

Segundo Mundy, esse era um dos temas que a equipe queria explorar. Sinestro argumenta no finale que o medo funciona como uma forma de inteligência emocional e que uma espécie incapaz de senti-lo estaria condenada. John não precisa deixar de sentir medo para ser herói; precisa decidir o que fazer apesar dele.

A lanterna criada por Sinestro muda as regras

A grande diferença está na bateria usada por John para carregar o anel. Sinestro forja uma lanterna não autorizada em um ambiente contaminado por medo, e o objeto apresenta traços amarelos misturados ao verde.

Nos quadrinhos da DC, verde e amarelo tradicionalmente ocupam posições muito diferentes dentro do espectro emocional. O verde representa força de vontade. O amarelo está associado ao medo e se tornaria a base da Tropa Sinestro, criada para enfrentar os Lanternas Verdes usando justamente a emoção que durante muito tempo foi uma fraqueza dos anéis esmeralda.

Lanternas não parece estar simplesmente repetindo essa história. A série está misturando os dois conceitos dentro do próprio John Stewart.

Tom King relacionou a escolha tanto às histórias clássicas em que Lanternas precisam criar juramentos próprios quanto ao trabalho de Geoff Johns com o espectro emocional, no qual diferentes cores passaram a representar emoções e tropas distintas. O resultado é um John que não precisa escolher entre “verde” e “amarelo” da maneira tradicional.

Por que o novo juramento de John importa

O juramento não é apenas uma mudança estética para diferenciar essa versão do personagem. Ele conclui o arco que a temporada construiu desde o começo.

John passou boa parte da história tentando entender o que significava merecer o anel de Hal. No final, ele chega a uma resposta diferente: não precisa se transformar em Hal Jordan para ocupar o lugar dele.

Isso explica por que copiar o juramento tradicional não funcionaria tão bem para essa versão do personagem. John aceita o anel, mas rejeita parte da estrutura que vinha junto com ele. Sua relação com os Guardiões é tensa, a bateria que utiliza não é sancionada e sua compreensão sobre medo é diferente daquela defendida tradicionalmente pela Tropa.

O personagem termina a temporada escolhendo ser Lanterna nos próprios termos.

O final também transforma John no Lanterna da Terra

A mudança fica ainda maior quando olhamos para a posição de John dentro do DCU. A DC descreve o final como o momento em que a Terra ganha um novo Lanterna Verde, enquanto os criadores deixam claro que sua relação com a instituição está longe de ser normal.

Guy Gardner reconhece que a bateria não é autorizada. John, por sua vez, não parece interessado em simplesmente entrar na fila e obedecer aos Guardiões. Isso cria uma situação curiosa: ele assume a responsabilidade de proteger a Terra ao mesmo tempo em que opera com uma fonte de energia que desafia as próprias regras da organização que deveria representá-lo.

É uma posição poderosa, mas também perigosa. Se o amarelo presente na bateria crescer ou afetar a forma como o anel funciona, a série já plantou um conflito pronto para ser explorado.

Isso prepara a Tropa Sinestro?

A presença de energia amarela torna inevitável pensar na Tropa Sinestro, mas é importante separar o que a série confirmou do que ainda é possibilidade.

Sinestro está diretamente ligado à criação da nova bateria e o amarelo representa medo, exatamente como nos quadrinhos. Isso estabelece elementos fundamentais da mitologia que eventualmente pode levar à Tropa Sinestro.

Mas o final não confirma que John entrou para essa tropa, nem que uma Tropa Sinestro já exista no DCU. Tratar isso como confirmação iria além do que o episódio e os criadores disseram.

O mais interessante é justamente a possibilidade de o universo estar chegando ao conceito por um caminho diferente. Em vez de apresentar imediatamente um exército inteiro de Lanternas Amarelos, Lanternas introduz primeiro a ideia de que medo pode ser transformado em energia e misturado à força de vontade.

Se Sinestro desenvolver essa descoberta, a criação de uma tropa baseada no medo passa a ter uma origem narrativa já estabelecida.

John Stewart virou algo que não existe da mesma forma nos quadrinhos

Essa talvez seja a consequência mais importante do episódio. A série não terminou apenas entregando o manto de Hal para John. Ela criou uma versão do personagem que ocupa uma área intermediária do espectro emocional.

John continua ligado ao verde e à força de vontade, mas carrega literalmente uma parcela do amarelo e do medo dentro da fonte que alimenta seu poder. Seu juramento reconhece essa mistura e sua independência dos Guardiões reforça que não estamos diante de um Lanterna Verde tradicional.

Isso também combina com a forma como a temporada tratou John desde o início. A série nunca pareceu interessada em transformá-lo numa cópia mais jovem de Hal. O objetivo era fazer com que ele chegasse ao anel depois de questionar o que aquele símbolo significava.

No fim, John não herda apenas o poder. Ele redefine o que pretende fazer com ele.

Então John Stewart é Verde ou Amarelo?

Por enquanto, a definição mais segura é: John Stewart continua sendo o Lanterna da Terra, mas não é mais um Lanterna Verde convencional.

A bateria criada por Sinestro mistura verde e amarelo, força de vontade e medo. Ela não é sancionada pelos Guardiões, e o próprio John adota um juramento diferente para representar sua nova relação com o poder.

A própria explicação dos criadores impede duas conclusões fáceis: dizer que ele continua exatamente igual aos outros Lanternas Verdes ignora o amarelo presente na bateria; dizer que ele simplesmente virou Lanterna Amarelo ignora que John não abandonou o verde nem aderiu à filosofia de Sinestro.

O final colocou John em um terceiro caminho.

E talvez seja justamente essa a maior pista sobre o futuro de Lanternas: enquanto Hal representava uma tradição antiga, John começa sua jornada quebrando a divisão que dizia que coragem e medo precisavam existir em lados opostos.

Fonte principal: DC — entrevista oficial com os criadores e elenco de Lanternas.