A série que ninguém esperava — e que agora todo mundo quer
Quando Cyberpunk: Edgerunners estreou na Netflix em setembro de 2022, ela fez algo raro: ressuscitou um jogo que tinha afundado no lançamento. Cyberpunk 2077 foi um desastre em 2020 — bugs, promessas quebradas, reembolsos em massa. Dois anos depois, o anime do Studio TRIGGER transformou a percepção do público inteiro. O jogo voltou ao topo das vendas. A história de David Martinez virou culto.
Agora, a segunda temporada está chegando — e o mundo não é mais o mesmo de 2022. Com um trailer completo já divulgado e data de lançamento confirmada, dá pra parar de especular e falar do que realmente está por vir.
Pra quem nunca assistiu: um resumo rápido da primeira temporada
Se você ouviu falar do hype mas nunca assistiu, vale o contexto antes de mergulhar na segunda temporada. Cyberpunk: Edgerunners acompanha David Martinez, um adolescente de Night City que perde a mãe e, sem opções, decide se equipar com implantes cibernéticos ilegais para conseguir sobreviver — e prosperar — no submundo mercenário da cidade. A história mistura ação frenética com uma tragédia pessoal que vai se acumulando episódio após episódio, culminando num final que dividiu opiniões pela intensidade emocional, mas que é hoje considerado um dos pontos altos da adaptação de videogames para anime.
O sucesso crítico veio acompanhado de sucesso comercial real: as vendas de Cyberpunk 2077 dispararam nas semanas seguintes ao lançamento do anime, e a base de jogadores ativa cresceu de forma expressiva — um efeito que poucas adaptações de jogos para anime conseguiram replicar antes ou depois. Foi esse resultado que abriu caminho para a CD PROJEKT RED apostar numa segunda temporada, mesmo sabendo que continuar a história de David era, narrativamente, uma escolha ruim.
A trilha sonora como parte da identidade da franquia
Um dos fatores que ajudou Edgerunners a se destacar foi a trilha sonora cuidadosamente selecionada, misturando artistas de peso do cenário eletrônico e hip-hop internacional para reforçar a estética punk e caótica de Night City. A escolha de Rico Nasty para assinar o tema exclusivo da segunda temporada segue essa mesma lógica: uma artista com identidade sonora agressiva e contemporânea, que combina com o tom “cru e real” que Sztybor prometeu para a nova história. Não é apenas uma trilha de fundo — é parte de como a série constrói sua própria linguagem visual e sonora antes mesmo do primeiro episódio estrear.
Data de lançamento e o painel na Anime Expo
Cyberpunk: Edgerunners 2 estreia no outono do hemisfério norte de 2026 (ou seja, por volta de setembro a dezembro), exclusivamente na Netflix. O anúncio veio acompanhado de um trailer completo — o segundo material divulgado publicamente, depois do teaser inicial do ano passado — com a música “You Can’t Run From Me”, da Rico Nasty, composta especialmente para a série e já disponível nas plataformas de streaming de música.
A CD PROJEKT RED também vai realizar um painel dedicado à série na Anime Expo 2026, em Los Angeles, no dia 3 de julho, das 19h30 às 20h50 (horário local) na Crypto.com Arena. A apresentação será conduzida pelo criador de conteúdo Danny Motta e vai reunir o diretor Kai Ikarashi (TRIGGER), o showrunner Bartosz Sztybor e a produtora executiva Saya Elder, além do dublador Nazeeh Tarsha, que dá voz ao novo protagonista da série, chamado apenas de “D” na versão em inglês.
Uma aposta em formato antológico
A escolha de contar uma história completamente nova a cada temporada não é incomum no mundo dos animes — mas é uma aposta ousada para uma franquia que conquistou o público justamente através do apego a um protagonista específico. Séries como Black Mirror, no formato ocidental, ou franquias como Ghost in the Shell, no anime, já mostraram que histórias autocontidas dentro do mesmo universo podem funcionar bem quando o mundo em si é interessante o suficiente para sustentar múltiplas perspectivas.
Night City é exatamente esse tipo de cenário: uma metrópole distópica com camadas sociais bem definidas, corporações que controlam mais do que qualquer governo, e uma cultura de sobrevivência que gera histórias diferentes dependendo de quem está contando. Ao invés de arriscar decepcionar os fãs tentando continuar ou “consertar” o final de David Martinez, a CD PROJEKT RED optou por deixar aquela história intocada e abrir uma nova frente — uma decisão que, pelo menos no papel, protege o legado da primeira temporada.
O que muda no universo do jogo
Enquanto o anime se prepara para estrear, o próprio jogo Cyberpunk 2077 segue recebendo atenção da desenvolvedora. A expansão Phantom Liberty ampliou a mitologia de Night City com uma nova região e tramas políticas envolvendo espionagem internacional, e atualizações visuais contínuas mantêm o título relevante mesmo anos após o lançamento conturbado de 2020. Esse cuidado contínuo com o jogo-base é parte do motivo pelo qual a expectativa em torno de Edgerunners 2 é tão alta: diferente de muitas adaptações de videogame que existem isoladas do material de origem, aqui as duas frentes — jogo e anime — se alimentam mutuamente.
Não existe, até o momento, nenhuma confirmação sobre um novo jogo principal da franquia. Rumores de fãs especulam sobre uma possível sequência direta de Cyberpunk 2077, mas a CD PROJEKT RED não fez qualquer anúncio oficial nesse sentido — o que reforça a teoria de que Edgerunners 2 está sendo usado, entre outras coisas, para manter o interesse do público aquecido enquanto qualquer projeto maior de jogo ainda estiver em desenvolvimento reservado.
Quem é o novo protagonista
Diferente do que muita gente esperava, Edgerunners 2 não é uma continuação direta da história de David e Lucy. É uma história autônoma, com elenco totalmente novo, ambientada na mesma Night City, mas seguindo outro grupo tentando sobreviver na cidade mais perigosa do futuro distópico de Cyberpunk 2077. Sztybor descreveu a nova temporada como “uma crônica crua e real de redenção e vingança” — algo, nas palavras dele, diferente de tudo que o estúdio já fez dentro desse universo.
A decisão de não continuar diretamente a saga de David faz sentido narrativo: a primeira temporada encerrou sua história de forma definitiva, sem deixar gancho óbvio para uma sequência. Mas o universo de Cyberpunk 2077 comporta infinitas histórias de mercenários — os chamados “edgerunners” — tentando sobreviver numa cidade que devora quem não se adapta rápido o suficiente. É esse território que a nova temporada decidiu explorar.
Por que o Studio TRIGGER é a escolha certa
O TRIGGER não é um estúdio qualquer. É o mesmo nome por trás de Kill la Kill, Gurren Lagann e Promare — obras que transformaram limitações de orçamento em estilo visual único. Na primeira temporada de Edgerunners, eles pegaram a estética de Cyberpunk 2077 e a elevaram a algo que o próprio jogo não conseguia entregar: movimento, emoção e uma paleta de cores que parecia queimar a tela.
A segunda temporada também marca uma passagem de bastão dentro do próprio estúdio. O anúncio original, feito na Anime Expo de 2025, foi conduzido por Sztybor ao lado de Hiroyuki Imaishi — diretor da primeira temporada — que revelou o logo e o pôster do projeto confirmando Kai Ikarashi, colaborador de longa data do TRIGGER, como o novo diretor. É uma transição cuidadosa, com o time original ainda envolvido na supervisão, mas com uma nova voz criativa no comando.
Sobre o tom, um detalhe já vazou: numa sessão fechada para imprensa na Anime Expo de 2025, o estúdio chegou a exibir material que foi descrito como “sangue demais” até para o painel principal do evento. Não é confirmação oficial de classificação indicativa, mas dá uma pista clara de que a segunda temporada não vai suavizar a violência que já marcou a primeira.
A identidade visual da nova temporada
Junto com o trailer, a CD PROJEKT RED revelou também a arte promocional principal da série, criada por Ichigo Kanno (ilustração original), com supervisão de tinta e cor de Yukiko Kakita e composição de Yuichiroh Tozawa. É a mesma equipe de peso que ajudou a construir a identidade visual reconhecível da primeira temporada, o que sugere continuidade estética mesmo com a história sendo totalmente nova.
O timing perfeito com o universo Cyberpunk
A CD Projekt Red continua expandindo o universo do jogo. O DLC Phantom Liberty já foi lançado, atualizações visuais do jogo base seguem saindo, e a comunidade permanece ativa mesmo quatro anos depois do relançamento da reputação do título. Trazer Edgerunners 2 agora, com a franquia mais saudável do que nunca, é uma jogada estratégica — e narrativamente faz sentido explorar Night City em novos ângulos antes que o próximo jogo da série, ainda sem data confirmada, seja anunciado oficialmente.
Vale lembrar que a primeira temporada teve dez episódios, e tudo indica que a segunda vai seguir o mesmo formato — uma história compacta e autocontida, no estilo que se tornou marca registrada do TRIGGER em produções como Promare, que também usou uma estrutura enxuta para contar uma história completa sem enrolação.
Se a primeira temporada te emocionou, a segunda promete pegar de surpresa em algum momento que você não espera — é a forma como o TRIGGER opera, e dessa vez com uma história inteiramente nova para explorar. Com data confirmada e painel já no calendário da Anime Expo, a expectativa só tende a crescer nas próximas semanas.
Quer mais sobre anime? Veja também nossa análise de Dr. Stone: Science Future e a explosão de Hell’s Paradise Temporada 2.