A questão que todo fã de HxH carrega há anos
O anime de Hunter x Hunter de 2011 terminou no Arco das Formigas-Quimera e emendou direto no Arco da Eleição para o 13º Presidente da Associação Hunter — foi devastador, foi brilhante, e é considerado por muitos o melhor trecho de shonen já produzido. Os 148 episódios do estúdio Madhouse cobrem até ali. E então acabou, bem no momento em que a história de Togashi começava a apontar para algo ainda maior.
O que veio depois nunca chegou às telas. E o que veio depois é exatamente o que o mangá está desenvolvendo agora, com o retorno recente da serialização: a Disputa de Sucessão a bordo do Navio Baleia Negra e, logo em seguida, a expedição ao Continente Negro — um arco que, segundo o próprio Togashi já sugeriu em entrevistas antigas, pode ser o mais ambicioso de toda a obra.
O que o anime não adaptou — e por que importa
Após os eventos da Eleição para Mestre das Bestas, Gon e Killua seguiram caminhos separados. A história passou a focar em Kurapika, agora no centro de uma das tramas mais intrincadas que Togashi já escreveu. Treze príncipes da família real Khura’in estão presos num navio rumo ao lendário Continente Negro — um território além dos mapas conhecidos, lar de criaturas e poderes que o mundo civilizado nunca viu.
A bordo do navio, cada príncipe tem guardas treinados em Nen, cada guarda tem uma estratégia, e todos estão se matando silenciosamente enquanto o navio segue viagem. Kurapika está no meio de tudo isso tentando recuperar os olhos do seu clã. É política, assassinato e Nen num nível de complexidade que não tem paralelo em nenhum outro shonen — e é justamente esse nível de intriga política que fez tanta gente na comunidade considerar esse arco “inadaptável” sem um roteiro de anime excepcionalmente cuidadoso.
Por que o Continente Negro é o arco mais perigoso já escrito por Togashi
Vale explicar por que esse destino é tratado com tanto medo dentro da própria história. O Continente Negro é protegido pelo V5 — um conselho formado pelos cinco continentes conhecidos, criado exatamente para impedir expedições até ali. A taxa de sobrevivência de quem tenta explorar o local, segundo a mitologia construída pelo próprio mangá, é de apenas 0,04%. Das expedições anteriores organizadas pelo V5, cada uma trouxe de volta uma das chamadas “Cinco Ameaças”: armas biológicas e entidades tão perigosas que precisam ser mantidas sob controle rígido pelos governos do Mundo Conhecido.
Foi justamente uma expedição não-oficial ao Continente Negro, aliás, que originou as Formigas Quimera — o que significa que tudo que os fãs sofreram no arco mais aclamado do anime de 2011 tem raiz direta nesse território que a série está prestes a explorar de verdade. Chegar até lá exige um “Guia”, um ser convocado por uma raça de criaturas guardiãs, sem o qual é impossível atravessar as fronteiras oceânicas que isolam o continente do resto do mundo.
É esse pano de fundo que torna a atual disputa dentro do Navio Baleia Negra tão tensa: o Rei Nasubi Hui Guo Rou financiou a expedição escondendo do V5 sua verdadeira intenção, usando a viagem como palco para uma guerra de sucessão entre os próprios filhos. E, à parte disso, Beyond Netero — filho do falecido ex-presidente da Associação Hunter, Isaac Netero — está determinado a alcançar o continente por conta própria, desafiando abertamente as regras que o próprio pai o proibiu de quebrar.
Por que esse arco exige animação de alto nível
A Disputa de Sucessão é visualmente desafiadora. Grande parte dela acontece em ambientes fechados, e as batalhas de Nen são frequentemente mentais e estratégicas, não físicas. Para animar bem, é preciso encontrar a linguagem visual certa para representar tensão que existe no silêncio — algo que a Madhouse fez de forma magistral no Arco das Formigas, mas que exige ainda mais sutileza aqui, já que boa parte dos confrontos entre os príncipes acontece através de armadilhas psicológicas e traições veladas, não socos e explosões.
O Continente Negro, que vem a seguir, é o oposto: um mundo totalmente novo, com criaturas inéditas e regras que o leitor ainda está descobrindo junto com os personagens. Visualmente, é o projeto mais ambicioso que Hunter x Hunter já demandou — e explica em parte por que a comunidade de fãs debate tanto qual estúdio teria capacidade técnica de fazer jus ao material, com nomes como MAPPA e Wit Studio surgindo com frequência nessas discussões, embora nenhum deles tenha qualquer vínculo oficial anunciado com o projeto.
Duas adaptações, dois tons diferentes
Vale lembrar que Hunter x Hunter já ganhou duas versões animadas bem diferentes entre si, e conhecer essa história ajuda a entender por que uma eventual terceira fase do anime desperta tanta expectativa. A primeira adaptação foi da Nippon Animation, exibida entre 1999 e 2001, com 62 episódios sob direção de Kazuhiro Furuhashi (Dororo, Mobile Suit Gundam Unicorn) — uma versão mais datada, com estética típica do fim dos anos 90. A segunda, de 2011 a 2014, foi um remake completo pela Madhouse (Overlord, Claymore), dirigido por Hiroshi Koujina, com 148 episódios e uma abordagem visual muito mais madura, que se tornou a referência definitiva da franquia para a maioria dos fãs ocidentais.
Essa mudança de estúdio entre as duas versões é parte do motivo pelo qual ninguém arrisca prever quem ficaria com uma eventual terceira fase. Historicamente, Hunter x Hunter não tem fidelidade automática a um único estúdio — o que teoricamente abre a porta para qualquer nome de peso da indústria, mas também significa que nada pode ser dado como certo até um anúncio oficial.
Quantos capítulos existem para adaptar?
Com o retorno do mangá e os manuscritos confirmados até o Capítulo 421, a história já tem material suficiente para o início de uma temporada completa da Disputa de Sucessão — o arco sozinho já soma mais de 70 capítulos publicados até aqui. Togashi continuando a publicar significa que esse número só cresce a cada nova leva de capítulos liberada pela Shueisha.
A janela para um anúncio de nova temporada nunca foi tão favorável quanto agora. O mangá voltou, a comunidade está ativa nas redes sociais debatendo cada detalhe do Capítulo 411, e o hype está no pico depois de 567 dias de espera. Se algum estúdio vai anunciar uma nova adaptação de HxH — seja continuação direta da Madhouse ou um projeto totalmente novo — as condições de mercado nunca estiveram tão alinhadas. Ainda assim, vale reforçar: nada disso é confirmação de que um anúncio está a caminho. É leitura de cenário, não vazamento de bastidores.
Enquanto a disputa entre os príncipes acontece nos porões do navio, há também um conflito paralelo entre os Zodíacos — o conselho de doze Hunters de elite que junto ao V5 formam o V6 responsável por autorizar a expedição. Descobrir que Beyond Netero burlou as regras usando o nome do próprio pai pegou o grupo de surpresa, e a forma como cada Zodíaco reage a essa traição virou um dos pontos mais discutidos pelos leitores nos capítulos mais recentes. Ging Freecss, pai de Gon, também está no meio disso, negociando entrada na expedição por conta própria e ao lado do sempre imprevisível Pariston — o tipo de subtrama que só ganha peso completo se o leitor já conhece o histórico político da Associação Hunter, algo que uma eventual adaptação em anime precisaria equilibrar com cuidado para não perder o espectador casual.
Onde assistir as duas versões hoje
Para quem quer se preparar para uma eventual terceira fase revendo o que já existe, a versão de 2011 é a mais fácil de encontrar: está disponível com dublagem em português desde 2023 pela Pluto TV, além de constar no catálogo do MovieArk. A versão de 1999, mais difícil de achar em streaming legal no Brasil, costuma aparecer em coletâneas ou lançamentos avulsos — vale pesquisar antes de assumir que ela está disponível na sua plataforma de costume. Já o mangá, publicado no Brasil pela Editora JBC desde 2008, é hoje a única forma de acompanhar a história além do ponto onde o anime parou, incluindo tudo que está descrito neste artigo sobre o Continente Negro.
Essa lacuna entre o que o anime cobriu e onde o mangá está — mais de uma década de material inédito nas telas — é rara mesmo dentro do universo de adaptações de shonen. Naruto, One Piece e Jujutsu Kaisen, por exemplo, mantêm o anime relativamente próximo do ritmo de publicação do mangá. Hunter x Hunter é a exceção, e é justamente essa lacuna gigantesca que faz o Arco do Continente Negro ser tratado quase como um “santo graal” pela comunidade: ninguém sabe como ele vai ser adaptado, porque ninguém nunca viu nada parecido nas telas antes.
Se você está pensando em maratonar antes de um possível anúncio, vale também conferir nossa análise de Dr. Stone: Science Future — outro shonen que está encarando sua própria reta final nos próximos meses.
Acabou de descobrir Hunter x Hunter? Veja também por que o retorno do mangá é diferente de todos os hiatos anteriores e o que está movimentando o mundo do mangá shonen em 2026.