Esqueça tudo que você acha que sabe sobre a Supergirl.
A maioria das pessoas ouve o nome e pensa numa versão mais fraca do Superman. A prima simpática, o spin-off seguro, a heroína de segundo time. Mas o novo filme do DCU — Supergirl: Woman of Tomorrow — não veio pra isso. Ele veio pra destruir essa imagem de vez.
Estreando nos cinemas brasileiros em 25 de junho de 2026, o longa é baseado numa das minisséries em quadrinhos mais premiadas da DC nos últimos anos, escrita por Tom King e ilustrada pela artista brasileira Bilquis Evely. E se você não conhece essa HQ, o que está por vir vai te surpreender — porque essa não é uma história de heroína salvando o mundo. É uma odisseia espacial sombria, violenta e emocionalmente brutal sobre vingança, trauma e o que significa ser justo num universo injusto.
A HQ que mudou Kara Zor-El para sempre
Publicada em 2021, Supergirl: Woman of Tomorrow começa com uma cena que diz tudo sobre o tom da história: Kara Zor-El, no seu aniversário de 21 anos, viaja sozinha até um planeta de sol vermelho — onde seus poderes não funcionam — com um único objetivo. Tomar uma bebedeira em paz.
Nenhum uniforme. Nenhuma missão. Só Kara, Krypto e uma mesa de bar.
Só que o universo não coopera. Numa mesa próxima, uma menina chamada Ruthye tenta contratar um mercenário para matar o assassino de seu pai — um agente do rei chamado Krem das Colinas Amarelas. O mercenário rouba a espada dela e vai embora. Kara, bêbada e sem poderes, parte o cara ao meio na saída.
E assim começa uma das histórias mais diferentes que a DC já produziu.
Narrada inteiramente pelos olhos de Ruthye — como se fosse um livro que ela escreveu anos depois sobre a aventura — a HQ acompanha as duas perseguindo Krem por diferentes planetas, encontrando horrores pelo caminho, e Ruthye aprendendo, aos poucos, o que Kara realmente é.
Tom King faz algo que poucos escritores conseguem: mostra a diferença fundamental entre Kara e seu primo. O Superman foi mandado para a Terra bebê. Ele cresceu em Smallville, foi criado por Jonathan e Martha Kent, não viu Krypton morrer. Kara viu. Kara era velha o suficiente pra entender o que estava acontecendo quando o planeta explodiu. Ela carrega esse peso de um jeito que Clark nunca vai carregar. E ainda assim, quando alguém pergunta se ela odeia os vilões que persegue, ela responde: “Eu sou a Supergirl. Eu não odeio ninguém.”
A série venceu o prêmio Eisner — o Oscar dos quadrinhos — e é até hoje considerada uma das melhores histórias da personagem em décadas.
O filme: fiel à HQ, mas com novidades
Dirigido por Craig Gillespie (o cara de Eu, Tonya e Cruella) e com roteiro de Ana Nogueira, o filme mantém o coração da HQ: Kara, Ruthye, a perseguição a Krem pelo espaço. Mas adiciona um elemento que não estava nos quadrinhos — e que pode dividir o fandom.
Lobo. Vivido por Jason Momoa.
O caçador de recompensas intergaláctico mais famoso da DC aparece no longa com um papel menor, mas com claro potencial para desdobramentos futuros no DCU. Curiosidade: Tom King chegou a considerar incluir Lobo na HQ original durante o desenvolvimento, mas acabou descartando. O filme retomou a ideia.
O elenco completo inclui:
- Milly Alcock (A Casa do Dragão) como Kara Zor-El / Supergirl
- Eve Ridley como Ruthye Mary Knolle
- Matthias Schoenaerts como Krem das Colinas Amarelas
- Jason Momoa como Lobo
- David Krumholtz e Emily Beecham como Zor-El e Alura, os pais de Kara
- David Corenswet em participação especial como Superman
Por que Milly Alcock é a escolha certa
Quem assistiu A Casa do Dragão sabe do que Milly Alcock é capaz. Ela passou dois anos interpretando a jovem Rhaenyra Targaryen — um personagem que precisava carregar ao mesmo tempo arrogância, vulnerabilidade e uma raiva contida que vai crescendo ao longo das temporadas.
Esse perfil se encaixa perfeitamente na Kara de Tom King. Uma heroína que não é gentil porque é ingênua — é gentil porque escolhe ser, mesmo tendo todos os motivos do mundo para não ser.
O filme é o segundo do novo Universo DC de James Gunn, depois do Superman de 2025. Kara já apareceu brevemente naquele filme, mas aqui é a vez dela brilhar sozinha.
Arte brasileira no coração do DCU
Um detalhe que poucos fãs brasileiros sabem: a HQ que originou o filme tem arte de Bilquis Evely, artista brasileira de Curitiba que é hoje uma das ilustradoras mais celebradas da DC Comics.
O trabalho dela em Woman of Tomorrow é considerado um dos melhores da história recente dos quadrinhos americanos — cada página tem uma composição que mistura fantasia épica com emoção crua. Não à toa, a série ganhou o Eisner tanto pelo roteiro quanto pela arte.
E como se não bastasse, a própria equipe do filme reconhece a conexão com o Brasil: Milly Alcock, Craig Gillespie, Ana Nogueira e Peter Safran desembarcaram no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 15 de junho como parte da turnê global de divulgação.
Vale a pena assistir?
Se você está acostumado com os filmes de super-herói padrão — vilão quer destruir o mundo, herói salva tudo no último segundo — Supergirl: Woman of Tomorrow vai te pegar de surpresa.
Isso não é necessariamente ruim. É uma história menor em escala e maior em emoção. Dois personagens perseguindo um assassino pelo espaço, enquanto uma delas aprende o que a outra realmente significa.
O risco é que o público de blockbuster espere ação do começo ao fim e se frustre com o ritmo mais contemplativo. O potencial é que, se a adaptação for fiel ao espírito da HQ, esse pode ser o filme de herói mais diferente que você vai assistir em anos.
Supergirl: Woman of Tomorrow estreia em 25 de junho de 2026 nos cinemas brasileiros, com sessões antecipadas a partir de 23 de junho.
Você já leu a HQ? Conta nos comentários o que está esperando do filme.