Uma menina entra em uma floresta proibida para salvar o irmão, e a LAIKA constrói essa aventura quadro a quadro.

Wildwood: a história e os bastidores

Um bebê é levado por uma revoada de corvos, uma menina atravessa a fronteira de uma floresta proibida e descobre um território governado por criaturas falantes e grupos rivais. Parece a abertura de uma fantasia épica digital. Só que Wildwood: O Bosque Selvagem foi construído com bonecos, cenários e movimentos fotografados quadro a quadro.

O novo longa da LAIKA, responsável por Coraline e o Mundo Secreto, estreia nos Estados Unidos em 23 de outubro de 2026. Depois de aproximadamente sete anos de produção, a pergunta é inevitável: por que uma animação exigiu tanto tempo?

Qual é a história de Wildwood?

A protagonista é Prue McKeel, uma adolescente que vive em Portland, no Oregon. Sua rotina muda quando corvos sequestram Mac, seu irmão mais novo. Determinada a encontrá-lo, Prue parte para a Floresta Impenetrável, uma área misteriosa próxima da cidade que esconde muito mais do que árvores.

Curtis Mehlberg, colega de escola de Prue, acompanha a missão. Os dois descobrem animais capazes de falar, personagens poderosos e facções com interesses conflitantes. A busca por Mac deixa de ser apenas uma aventura de resgate e se transforma na descoberta de um mundo com regras e disputas próprias.

O contraste é essencial. De um lado está Portland, uma cidade reconhecível; de outro, um território fantástico que existe praticamente ao lado da vida cotidiana. O desconhecido está escondido atrás de uma fronteira que os personagens nunca deveriam atravessar.

Por que o stop-motion demora tanto?

No stop-motion, os personagens são objetos físicos manipulados em pequenas etapas. Cada mudança de posição precisa ser fotografada. Quando as imagens são exibidas em sequência, o público enxerga movimento. Com dezenas de personagens e cenários naturais, a tarefa se multiplica rapidamente.

Por que o projeto levou tantos anos?

É importante separar desenvolvimento e filmagem. O romance Wildwood, escrito por Colin Meloy e ilustrado por Carson Ellis, foi publicado em 2011, quando já começava o interesse por uma adaptação. Isso não significa que os animadores tenham passado quinze anos fotografando cenas. Segundo a Entertainment Weekly, a produção mobilizou mais de mil profissionais ao longo de aproximadamente sete anos.

O filme ultrapassa 2.800 planos, conforme a reportagem de bastidores. A equipe precisou projetar florestas, ruas, interiores e espaços fantásticos sem perder a continuidade visual. O desafio não era apenas produzir mais bonecos, mas fazer um mundo inteiro parecer habitável.

O início do trabalho também coincidiu com as restrições da pandemia. Em 2020 e 2021, parte do desenvolvimento precisou acontecer remotamente, situação particularmente difícil para uma técnica baseada na construção e manipulação de materiais físicos. A equipe adaptou seus processos de colaboração antes de retornar plenamente aos estúdios.

Por que animar uma floresta é tão difícil?

Uma floresta é um ambiente visualmente caótico. Galhos, folhas, texturas, sombras e mudanças de luz estão por toda parte. No stop-motion, a equipe precisa decidir quais elementos existirão fisicamente diante da câmera, como serão iluminados e de que forma permanecerão convincentes em cada enquadramento.

Para criar a aparência do bosque, a produção contou com o diretor de fotografia Caleb Deschanel. Profissionais da LAIKA chegaram a fotografar bonecos em florestas reais para estudar como a luz atravessava as árvores e como os personagens poderiam se integrar à paisagem.

O resultado procura evitar dois extremos: um cenário tão detalhado que distraia da história e outro tão simplificado que pareça um brinquedo sem profundidade. É essa preocupação que aproxima Wildwood das fantasias cinematográficas de grande escala.

Wildwood é uma continuação de Coraline?

Não. A comparação é inevitável porque os dois filmes são do mesmo estúdio, mas Wildwood não é uma sequência de Coraline. A nova produção adapta outro livro e apresenta personagens, mitologia e conflitos próprios. Em Coraline, a ameaça nasce de um mundo aparentemente perfeito que esconde uma armadilha pessoal. Em Wildwood, a protagonista entra em um território vasto, dividido por forças rivais, para encontrar o irmão.

O ponto em comum é a descoberta de um universo oculto que os adultos não compreendem completamente. Também há o gosto da LAIKA por criaturas estranhas, ambientes táteis e uma fantasia que não precisa eliminar o perigo para funcionar.

Travis Knight dirige o filme, enquanto Chris Butler assina o roteiro. Knight já comandou Kubo e as Cordas Mágicas, outra produção do estúdio que combinou aventura e emoções familiares.

O livro de Wildwood é igual ao filme?

O longa parte do romance publicado em 2011, mas isso não autoriza afirmar que cada personagem, diálogo ou acontecimento tenha sido reproduzido sem alterações. Uma adaptação precisa transformar descrições literárias em imagens, selecionar acontecimentos e reorganizar o ritmo da narrativa.

No material original, Portland e a Floresta Impenetrável são essenciais para a sensação de que a aventura começa muito perto de casa. A missão de Prue e Curtis, o desaparecimento de Mac e a existência de diferentes forças dentro do bosque formam a base reconhecível da adaptação.

Para saber quais trechos foram condensados, modificados ou eliminados, será necessário comparar o longa completo com o romance. Antecipar diferenças específicas sem essa verificação seria transformar expectativa em informação.

O interesse por mundos fantásticos também aparece na nossa análise de por que o novo filme de Nárnia começa antes do guarda-roupa.

Quem são as vozes de Wildwood?

Na versão original, Peyton Elizabeth Lee interpreta Prue, e Jacob Tremblay dá voz a Curtis. O elenco também inclui Carey Mulligan, Mahershala Ali, Angela Bassett, Richard E. Grant e Awkwafina.

Entre as figuras do bosque estão Alexandra, associada a Carey Mulligan, e Brendan, interpretado por Mahershala Ali. As facções têm objetivos diferentes, o que amplia os riscos da jornada de Prue e Curtis. A missão de resgate passa a acontecer dentro de uma disputa maior.

A dimensão do elenco ajuda a compreender a complexidade da animação. Criar um personagem de stop-motion exige pensar em aparência, movimento, expressões, roupas e interação com outros bonecos. Criaturas não humanas ampliam o trabalho de modelagem e articulação.

Quando Wildwood estreia no Brasil?

O lançamento nos Estados Unidos está confirmado para 23 de outubro de 2026, conforme os comunicados da Fathom Entertainment e o site oficial do filme. No Brasil, Wildwood: O Bosque Selvagem tem distribuição anunciada pela Imagem Filmes, com previsão de chegada aos cinemas em outubro.

Como diferentes veículos apresentam dias distintos para a estreia brasileira, preferimos não cravar uma data específica sem confirmação inequívoca da distribuidora. A programação também pode variar conforme a cidade.

Wildwood pode ser o filme mais ambicioso da LAIKA?

Em escala de produção, há motivos concretos para essa avaliação. A reportagem da Entertainment Weekly descreve uma quantidade de planos, bonecos e ambientes superior à de trabalhos anteriores do estúdio. A questão artística é diferente: um filme maior não é automaticamente um filme melhor.

O que torna Wildwood interessante é a relação entre forma e história. Uma menina entra em uma floresta que parece impossível de compreender; o público acompanha a descoberta por meio de um mundo construído peça por peça. A materialidade dos cenários reforça a sensação de que tudo existe, mesmo quando aparecem criaturas falantes e magia.

Essa é a promessa que diferencia a LAIKA de boa parte das animações comerciais. O estúdio não precisa competir apenas em quantidade de efeitos. Seu trunfo é transformar trabalho manual em atmosfera e atmosfera em narrativa.

Para quem acompanha adaptações, vale conferir nossa análise sobre como uma nova versão de Carrie pode alterar o significado do material de Stephen King e a reportagem sobre o papel da criatura em Dentro da Baleia. São abordagens diferentes de uma mesma questão: o que muda quando uma história encontra outra linguagem?

Wildwood chega com uma resposta visual particular. Em vez de simplesmente desenhar uma floresta encantada, a LAIKA passou anos construindo uma.

Fontes consultadas